Mini book (baseado em fatos verídicos) - RAPAZ DO SORRISO LINDO E SINCERO (Capítulo I)

 Yuna era uma jovem estudante de literatura que, desde cedo, carregava dentro de si um universo vasto demais para o próprio peito. Às vezes, suas emoções transbordam sem aviso, como um rio em época de cheia. Desde muito pequena, encontrava conforto nos estudos. Não hesitava em realizar todas as atividades escolares, e seus professores frequentemente elogiavam sua dedicação exemplar. Ainda assim, havia algo inquieto em sua essência. Yuna falava, pensava e sentia demais. Não satisfeita com as próprias tarefas, desejava fazer também as de seus colegas, como se, ao ocupar a mente, conseguisse silenciar o que sentia. Com o passar dos anos, começou a perceber que algo não estava bem. Suas emoções pareciam não obedecer à razão. Havia dias em que o peso de existir era maior do que sua capacidade de suportar. Mesmo assim, ignorou os sinais. Não deu importância aos sintomas que, mais tarde, receberam nomes que mudariam sua vida: depressão e ansiedade. Consideradas por muitos como as doenças do século, essas condições foram amplamente estudadas por profissionais e pensadores, entre eles o psiquiatra, cientista e escritor Augusto Cury, que dedicou sua vida a ensinar que as emoções podem ser compreendidas e educadas, ainda que pareçam indomáveis. Aos quatorze anos, Yuna recebeu o diagnóstico: Transtorno Depressivo Maior e Transtorno de Ansiedade Generalizada. As palavras do médico ecoaram em sua mente, frias e definitivas. A partir daquele momento, os dias passaram a ser acompanhados por comprimidos que prometiam acalmar sua mente durante o dia e conceder-lhe o descanso à noite. No entanto, Yuna não seguiu o tratamento, não completamente. Talvez por medo, negação ou por não querer aceitar que havia algo quebrado dentro dela. Durante cinco anos, fechou-se em seu próprio mundo. A casa tornou-se seu refúgio e sua prisão. Não sentia vontade de sair, de fazer amizades ou de viver o que pessoas de sua idade viviam. Os livros tornaram-se sua única companhia, como romances, filosofia, ciência, espiritualidade, idiomas, administração e autoajuda. Cada página era um abrigo. Cada história, uma forma de existir sem precisar ser ela mesma. Aos vinte anos, ingressou na universidade de literatura, era em teoria a realização de um sonho. Entretanto, dentro dela, o caos permanecia. Yuna mantinha distância das pessoas. Interagia apenas por educação e necessidades acadêmicas. Havia um medo constante de ferir o próximo, decepcioná-los, de não ser o suficiente. Como se sua própria existência fosse um risco. Além das batalhas invisíveis, seu corpo também exigiu forças. Precisou passar por duas cirurgias de sinusite e outra para respirar melhor (sinusectomia endoscópica funcional e uma septoplastia para corrigir o desvio do septo nasal). O pós-operatório foi solitário. Sua família trabalhava muito, ainda assim, cuidavam dela com carinho, porém, não queria ser um peso. Nunca quis. — Eu não posso sobrecarregar ninguém. Dizia a si mesma, em silêncio. — Eu consigo sozinha. Porque, se eu falhar, vão pensar que sou ingrata. Era um medo que talvez nunca se tornasse real. Só que, para sua mente ansiosa, era inevitável. Certo dia, a caminho da universidade, diminuiu os passos. Observou as árvores, o vento, a luz suave do dia. Levou a mão ao peito. E pensou: — Eu queria tanto sentir algo aqui dentro… algo além dessa paz vazia que a natureza me dá. Será que nunca vou encontrar alguém? Não quero ficar sozinha… embora eu tenha tanto medo de ser abandonada, e sei que afasto as pessoas. Por favor… universo… me permita sentir aquele amor que muda tudo… que faz o rosto sorrir sem perceber. O vento soprou, e nenhuma resposta veio no instante. Dois meses se passaram. Em uma tarde comum, Yuna foi até o porto fluvial de Belém do Pará, buscar uma encomenda, livros, sempre mais livros, foi então que avistou. Um jovem marinheiro, seu nome ela ainda não sabia. Mas seu sorriso... seu sorriso parecia carregar luz própria. O coração de Yuna falhou. Por um segundo, esqueceu como respirar. E, quase em um sussurro, confessou: — Como pode existir alguém com um sorriso tão belo… tão encantador… tão vivo… Seu peito aqueceu. Algo que nunca sentiu por alguém. — Acho que estou apaixonada… Ela abaixou o olhar, assustada com a própria coragem. Pela primeira vez em anos, teve um pensamento diferente: — Vou sempre pedir mais livros… Sorriu, tímida. — Só para poder vê-lo de novo.


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